Através da noite foi a lua que revelou o sonho.
Através da noite eu dormi e me apaixonei.
Sinto-me cansada e adormecida em um oceano profundo.
Não queria chorar mas naquele momento me permiti que chorasse e
dissesse que te amo.
Não quero que essa noite acabe mais.
Quero que tudo continue através da noite..
domingo, 8 de maio de 2011
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Dos prazeres de Sofia
Sofia sempre foi diferente, nunca gostou do mundo que vivia. Ela gostava de um mundo só dela, um mundo em que ela só encontrava quando se perdia.
Em meados de abril, em um outono não muito suportável ela resolveu sair um pouco mais do comum, fez amigos novos, foi a lugares novos, experimentou coisas novas. Tudo aquilo era simplesmente fascinante pra ela. Não havia um dia em que ela não fosse dormir com um sorriso no rosto por ver que sua vida finalmente tinha se tornado o que ela queria.
Ou pelo menos o que ela achava que queria...
Sofia esqueceu que as conseqüências viriam um dia, esqueceu que tudo que de mal que você faz volta pra você, não que ser feliz fosse algo ruim, muito pelo contrário, mas o que ela estava fazendo para ser feliz era.
Ela passava dos limites e não ligava pro próximo dia, ela abusava das substancias que deixavam ela feliz que por mais que fosse momentâneo a deixavam embriagada de amor, mas ela queria mais, ela queria viver pra sempre naquele mundo.
Aquele maldito mundo, onde todas as cores tinham um brilho imensuravelmente forte, onde as músicas entravam em sua cabeça como uma batida que lhe davam uma sensação de só conter notas ao invés de sangue em seu coração, Sofia não queria mais sair daquele mundo, aquele mundo em que havia sabores no vento.
Ela se afundou em seu mundo, virou escrava de suas emoções, um zumbi criado por ela mesma. Ela esqueceu que havia uma vida lá fora esperando para ser vivida.
Não lembro bem quando foi, mas Sofia havia parado um pouco com sua vida de felicidades momentâneas e se esforçou ao máximo para voltar a real. Ela tentou, tentou com todas as forças que haviam dentro de si, mas não deu. Ela não aguentava mais, ela precisava voltar, aquela realidade estava destruindo Sofia aos poucos.
Ela voltou, a garota inútil que tinha medo de viver voltou à mesma porcaria de vida de antes, não queria mais saber de futuro, não queria mais saber do mundo, não queria mais saber de Sofia.
Assim que voltou fez questão de fazer tudo em dobro, não queria saber das consequências, queria sentir em seu sangue as batidas da liberdade.Ela só não contava com aquela voz em sua cabeça, aquela voz que dizia repetidamente para que ela parasse com aquilo tudo, ainda havia tempo. Sofia não parou.
Sofia começou a sentir seu sangue ficar quente, tudo girava, nada mais fazia sentido e ela gostava disso.
A voz não parava um instante sequer, Sofia continuava, a voz insistia, Sofia aumentava a dose, a voz implorava para que ela parasse.
Sofia parou.
Ela não sentia mais nada, não ouvia as batidas, não via as cores, ela via pessoas correndo a seu encontro. Ela não entendia direito o que estava acontecendo mas a sensação de estar perdendo o sentido de todas as partes do seu corpo continuavam a aumentar.
Sofia daria tudo pra voltar no tempo e escutar aquela voz.
Mas era tarde demais, Sofia não aguentava mais a dor que sentia, não aguentava mais o gosto de seu sangue que estava em sua garganta quente como a lava de um vulcão, não aguentava mais olhar ao lado e ver todos com pena e com espanto, seus olhos pegavam fogo, sua mão congelada tentava relutar contra ela mesma.
Parece que o tão esperado dia chegou, Sofia finalmente conseguiu o que queria.
Sofia não existia mais...
Em meados de abril, em um outono não muito suportável ela resolveu sair um pouco mais do comum, fez amigos novos, foi a lugares novos, experimentou coisas novas. Tudo aquilo era simplesmente fascinante pra ela. Não havia um dia em que ela não fosse dormir com um sorriso no rosto por ver que sua vida finalmente tinha se tornado o que ela queria.
Ou pelo menos o que ela achava que queria...
Sofia esqueceu que as conseqüências viriam um dia, esqueceu que tudo que de mal que você faz volta pra você, não que ser feliz fosse algo ruim, muito pelo contrário, mas o que ela estava fazendo para ser feliz era.
Ela passava dos limites e não ligava pro próximo dia, ela abusava das substancias que deixavam ela feliz que por mais que fosse momentâneo a deixavam embriagada de amor, mas ela queria mais, ela queria viver pra sempre naquele mundo.
Aquele maldito mundo, onde todas as cores tinham um brilho imensuravelmente forte, onde as músicas entravam em sua cabeça como uma batida que lhe davam uma sensação de só conter notas ao invés de sangue em seu coração, Sofia não queria mais sair daquele mundo, aquele mundo em que havia sabores no vento.
Ela se afundou em seu mundo, virou escrava de suas emoções, um zumbi criado por ela mesma. Ela esqueceu que havia uma vida lá fora esperando para ser vivida.
Não lembro bem quando foi, mas Sofia havia parado um pouco com sua vida de felicidades momentâneas e se esforçou ao máximo para voltar a real. Ela tentou, tentou com todas as forças que haviam dentro de si, mas não deu. Ela não aguentava mais, ela precisava voltar, aquela realidade estava destruindo Sofia aos poucos.
Ela voltou, a garota inútil que tinha medo de viver voltou à mesma porcaria de vida de antes, não queria mais saber de futuro, não queria mais saber do mundo, não queria mais saber de Sofia.
Assim que voltou fez questão de fazer tudo em dobro, não queria saber das consequências, queria sentir em seu sangue as batidas da liberdade.Ela só não contava com aquela voz em sua cabeça, aquela voz que dizia repetidamente para que ela parasse com aquilo tudo, ainda havia tempo. Sofia não parou.
Sofia começou a sentir seu sangue ficar quente, tudo girava, nada mais fazia sentido e ela gostava disso.
A voz não parava um instante sequer, Sofia continuava, a voz insistia, Sofia aumentava a dose, a voz implorava para que ela parasse.
Sofia parou.
Ela não sentia mais nada, não ouvia as batidas, não via as cores, ela via pessoas correndo a seu encontro. Ela não entendia direito o que estava acontecendo mas a sensação de estar perdendo o sentido de todas as partes do seu corpo continuavam a aumentar.
Sofia daria tudo pra voltar no tempo e escutar aquela voz.
Mas era tarde demais, Sofia não aguentava mais a dor que sentia, não aguentava mais o gosto de seu sangue que estava em sua garganta quente como a lava de um vulcão, não aguentava mais olhar ao lado e ver todos com pena e com espanto, seus olhos pegavam fogo, sua mão congelada tentava relutar contra ela mesma.
Parece que o tão esperado dia chegou, Sofia finalmente conseguiu o que queria.
Sofia não existia mais...
quinta-feira, 7 de abril de 2011
A menina que roubava livros,

Acabo de perceber que, se algum dia tive pretensões como crítico literário, foram grandes ilusões. Um crítico precisa ser mais racional e analítico, já eu, sou facilmente conquistado por uma simples história diferente, porém profunda.
Mas também, quando a morte conta uma história, você deve parar para ler.
Liesel Meminger é a menina que nossa narradora — a morte — encontrou três vezes. A garotinha conseguiu tapeá-la nas três.
Impressionada, a ceifadora de almas decide nos contar sua trajetória, pois, como ela mesma diz, em seu ramo de trabalho, o único dom que lhe salva é a distração. Ela mantém sua sanidade.
Apresentando
A Alemanha nazista.
Uma menina com um irmão morto.
Um livro preto com letras prateadas.
Neve.
Dois pais de criação.
A mulher com punhos de ferro.
O enrolador de cigarros.
Um judeu escondido no porão.
Palavras…
…e bombas.
. Eis um pequeno fato .
Você vai morrer.
A pergunta é: qual será a cor de tudo nesse momento em que eu chegar para buscar você? Que dirá o céu?
. Uma pequena teoria .
As pessoas só observam as cores do dia no começo e no fim,
mas, para mim, está muito claro que o dia se funde através de uma multidão
de matizes e entonações a cada momento que passa.
Uma só hora pode constituir em milhares
de cores diferentes — amarelos céreos, azuis borrifados de nuvens. Escuridões enevoadas.
No meu ramo de atividade, faço questão de notá-los.
Primeiro aparece uma coisa branca. Do tipo ofuscante. É muito provável que alguns de vocês achem que o branco não é realmente uma cor, e todo esse tipo batido de absurdo. O branco é sem dúvida uma cor e, pessoalmente, acho que você não vai querer discutir comigo.
. Um anúncio tranqüilizador .
Por favor, mantenha a calma, apesar da ameaça anterior.
Sou só garganta…
Não sou violenta.
Não sou maldosa.
Sou só um resultado
Ei, acorde! Ela não está atrás de você, ela sequer procura você. Ela só chega quando é tarde demais. E faz o seu trabalho.
Como eu falei, parece muito mais humano passar as sensações que um livro possa trazer.
Alegria.
Ternura.
Tristeza.
Euforismo.
Solidão.
Orgulho.
Medo…
…e a Morte.
Foi nos livros que Liesel viu a oportunidade de fugir daquilo tudo que a perseguia. Ela esquecia do irmão morto com um olho aberto, no chão do vagão do trem.
Ensinaram-na a ler. Um certo enrolador de cigarros e um acordeonista.
No abrigo, durante os bombardeios, ela sacudia as palavras para manter todos mais calmos. E longe de mim. Era a sacudidora de palavras.
Até que um dia ela escreveu seu próprio livro.
Até que um dia as sirenes não tocaram para avisar sobre as bombas.
Até que um dia a rua Himmel foi devastada.
Até que um dia só sobrou a menina que roubava livros nos escombros de um porão raso demais para suportar.
Uma sobrevivente.
Um acordeão quebrado.
Um beijo tarde demais.
Um livro perdido e devolvido em tempo.
Venha comigo, quero lhe contar uma história. Vou lhe mostrar uma coisa.
. A nota final de sua narradora . – Os seres humanos me assombram.
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Desistir;
E então, é isso que você pensou pra sua vida? Tentar, tentar e tentar pra no final desistir? Foi isso que você esperou de você mesmo?
Sinceramente, me faça o favor de parar com seu drama todo e erguer a cabeça. Vai continuar no chão depois de cair? Achou mesmo que nunca ia passar por isso? Me desculpe mas você esta completamente enganado.
Nem tudo que reluz é ouro, praticamente todos os dias você vai encontrar um novo desafio. Só cabe a você agora decidir se vai desistir no primeiro obstáculo ou continuar nessa.
E me faça um favor, antes de tremer as pernas pelo inconquistável e apagar as luzes do mundo por um único brilho falso, olhe dentro de você e pergunte: estupidez, masoquismo ou medo de viver de verdade?
Sinceramente, me faça o favor de parar com seu drama todo e erguer a cabeça. Vai continuar no chão depois de cair? Achou mesmo que nunca ia passar por isso? Me desculpe mas você esta completamente enganado.
Nem tudo que reluz é ouro, praticamente todos os dias você vai encontrar um novo desafio. Só cabe a você agora decidir se vai desistir no primeiro obstáculo ou continuar nessa.
E me faça um favor, antes de tremer as pernas pelo inconquistável e apagar as luzes do mundo por um único brilho falso, olhe dentro de você e pergunte: estupidez, masoquismo ou medo de viver de verdade?
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Me dê algo a mais
Completo o copo com conhaque, acendo mais um cigarro, e me ajeito no sofá.
Entre uma tragada e um gole, sinto meus olhos arderem.
Às vezes a impressão que tenho é a de que vou explodir e virar milhares de moléculas, sem importância alguma.
Às vezes eu não tenho a mínima vontade de seguir em frente.
E na maioria dessas vezes, é porque eu não encontro um motivo, uma razão para continuar.
Me desculpe se a sua idéia de felicidade é medíocre, a minha não é.
Felicidade pra mim não é encontrar o amor da minha vida, e viver feliz para sempre lavando roupa e cuidando dos filhos.
Eu quero um veneno anti-monotonia (como já dizia o poeta), quero mudanças, quero diferenças, quero espetáculos, quero viver, quero morrer, quero ressuscitar.
Quero fechar os olhos, e enquanto o filme da minha vida passar na minha mente, eu ter certeza de que valeu a pena. De que todos os sacrifícios serviram para algo, de que não foi em vão, de que eu venci, e da maneira errada, pelo caminho mais difícil, escolhendo o lado mais complicado.
E não importa se daqui a alguns anos eu continuar na mesma situação financeira, não importa se eu nunca puder conhecer a tão adorada Inglaterra. Eu só preciso de musica e um motivo pra continuar.
Não quero me perder na ilusão de uma felicidade inventada.
Nada nunca vai ser perfeito ou fácil, aceite isso e me dê mais um cigarro e mais um gole, por favor.
Entre uma tragada e um gole, sinto meus olhos arderem.
Às vezes a impressão que tenho é a de que vou explodir e virar milhares de moléculas, sem importância alguma.
Às vezes eu não tenho a mínima vontade de seguir em frente.
E na maioria dessas vezes, é porque eu não encontro um motivo, uma razão para continuar.
Me desculpe se a sua idéia de felicidade é medíocre, a minha não é.
Felicidade pra mim não é encontrar o amor da minha vida, e viver feliz para sempre lavando roupa e cuidando dos filhos.
Eu quero um veneno anti-monotonia (como já dizia o poeta), quero mudanças, quero diferenças, quero espetáculos, quero viver, quero morrer, quero ressuscitar.
Quero fechar os olhos, e enquanto o filme da minha vida passar na minha mente, eu ter certeza de que valeu a pena. De que todos os sacrifícios serviram para algo, de que não foi em vão, de que eu venci, e da maneira errada, pelo caminho mais difícil, escolhendo o lado mais complicado.
E não importa se daqui a alguns anos eu continuar na mesma situação financeira, não importa se eu nunca puder conhecer a tão adorada Inglaterra. Eu só preciso de musica e um motivo pra continuar.
Não quero me perder na ilusão de uma felicidade inventada.
Nada nunca vai ser perfeito ou fácil, aceite isso e me dê mais um cigarro e mais um gole, por favor.
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Otherside,
Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem de minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio. Descobri, enfim, que o amor não é um estado da alma e sim um signo do Zodíaco.
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
É Fá, Fá maior...
"Hey Jude, don't make it bad, take a sad song and make it better"
-É Fá, Fá maior.
-O que?
-Você tocou errado, é Fá maior.
-Ah sim, eu estava distraído, nem tinha te visto aí.
-Eu sei, você nunca vê, mas... eu sempre te escuto.
-É? Não achei que alguém se importasse com o que eu toco, mas se você sempre escuta, acho que gosta. Certo?
-Gosto da sua voz.
-Legal. Mas, como eu nunca te vi por aqui?
-Eu já disse, você nunca me vê. Está tão perdido nas suas próprias dúvidas, que não percebe o que está a sua volta.
-Acho que você sabe mais sobre mim do que eu mesmo.
-Você se engana, sei tanto de você quanto você sabe de mim: nada.
-Mas...
-Mas eu te observo, e então deduzo algumas coisas, que pelo jeito estão certas.
-É, realmente estão certas. Mas qual o seu interesse em observar um desconhecido que fica tocando violão em uma praça?
-Eu sempre pensei que me apaixonaria por um desconhecido. E eu estava certa, o único interesse em te observar é que quando te olhei sabia que você era o cara que iria trazer todos os problemas que eu tenho fugido todo esse tempo.
-Problemas, então você acha que eu vou te trazer problemas?
-Não acho, tenho certeza. Você poderia continuar tocando? Eu amo sua voz nessa música, e não esquece: é Fá maior.
-É Fá, Fá maior.
-O que?
-Você tocou errado, é Fá maior.
-Ah sim, eu estava distraído, nem tinha te visto aí.
-Eu sei, você nunca vê, mas... eu sempre te escuto.
-É? Não achei que alguém se importasse com o que eu toco, mas se você sempre escuta, acho que gosta. Certo?
-Gosto da sua voz.
-Legal. Mas, como eu nunca te vi por aqui?
-Eu já disse, você nunca me vê. Está tão perdido nas suas próprias dúvidas, que não percebe o que está a sua volta.
-Acho que você sabe mais sobre mim do que eu mesmo.
-Você se engana, sei tanto de você quanto você sabe de mim: nada.
-Mas...
-Mas eu te observo, e então deduzo algumas coisas, que pelo jeito estão certas.
-É, realmente estão certas. Mas qual o seu interesse em observar um desconhecido que fica tocando violão em uma praça?
-Eu sempre pensei que me apaixonaria por um desconhecido. E eu estava certa, o único interesse em te observar é que quando te olhei sabia que você era o cara que iria trazer todos os problemas que eu tenho fugido todo esse tempo.
-Problemas, então você acha que eu vou te trazer problemas?
-Não acho, tenho certeza. Você poderia continuar tocando? Eu amo sua voz nessa música, e não esquece: é Fá maior.
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Ainda vejo eles,

Há quanto tempo eu estava ali sentada? Não sei dizer. Não sei dizer ao menos que horas são agora.
Há tempo joguei meu relógio fora, joguei fora minhas antigas roupas, e tudo que me prendia ao passado.
Os discos, os livros, e tudo mais que fazia parte de mim.
Doeu, doeu muito abrir mão de tudo o que eu era, de tudo o que eu amava, de tudo o que era meu chão.
E agora? Estou aqui, sentada na sarjeta, com as gotas da chuva molhando o meu rosto, e libertando o último resquício do meu passado que ainda sobrevive em mim.
Eu vi pernas indo e vindo a noite inteira, algumas paravam, observavam e iam embora. Aqui ninguém pára por muito tempo, aqui ninguém tem tempo.
O tempo possui as pessoas, e não o contrário. A vida possui as pessoas. A cidade possui as pessoas.
As pessoas não são donas de si, elas se venderam para o tempo, para a vida, para a cidade, para alguém.
Almas vendidas, que vão e vem a cada minuto.
Agora não mais, agora a cidade parou. A cidade dormiu.
Sempre tem alguma alma que ainda perambula por aqui, mas essas são as que não se venderam, as que se mantiveram firme, e agora estão à procura de alguma sarjeta para serem acolhidas, e assim como eu, passarem a noite vendo pernas indo e vindo, carregando almas que não param, não te enxergam, apenas observam alguma vezes.
Agora eu me deito, porque o cansaço me venceu. Estou esperando que algo venha e me tire daqui.
E não leia errado, eu quero algo, e não alguém.
Cansei.
O mundo me cansou, o passado me cansou, essas almas me cansaram.
Por favor, algo, me tire daqui, me leve para o céu, ou para o inferno, mas me tire daqui.
Petra in the sky with diamonds
Essa sede de aventura que invade todos os meus dias, futuramente me trará cansaço de tanto batalhar, batalhar e alcançar. Então eu me fecharei para dentro de mim mesma, como aconteceu num passado não tão distante assim. Eu espero que desta vez eu possa dizer com toda convicção de alguém que aprendeu algo: valeu a pena. Este casulo que nós vivemos não aprisiona lagartas que futuramente serão borboletas, abriga borboletas que estão prontas para voar mas tem medo da queda livre. Tem medo do desconhecido; eu não, eu quero o desconhecido, como um órfão que procura os pais... Não quero ser parte do que as pessoas atualmente chamam de humanidade. Tenho em mim todos os sonhos do mundo.
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