1 2 3.. testando
Porque eu resolvi sair com Caio? Ta ai uma boa pergunta, acho que eu estava mergulhada em um oceano de tédio quando ele me achou e como não havia mais nada pra fazer eu fui. Não lembro do dia exato mas era no mês de julho, estava muito frio.
Meu dia havia sido relativamente normal até o momento em que o encontrei, fiz o que uma garota perdida no mundo sempre fazia, fumava a desperdiçava meu tempo com besteiras. Nos encontramos perto de um mercado enorme lá pelas 19:30, ele com aquele skate velho e eu já tonta por ter fumado maconha.
Brigamos por alguma coisa idiota depois de 10 minutos de conversa mas mesmo assim resolvemos dar uma volta pelo centro da cidade, eu tenho certeza que ele achou essa ideia ridícula mas topou porque ficou com pena por ter me chamado de bêbada.
Particularmente, odeio ser chamada de bêbada. Apesar de ser uma verdade.
Compramos uns 40 reais em maconha no caminho quando passamos em frente ao prédio de um "amigo" dele. Nem sei quanto dava aquilo, mas foi o bastante pra me fazer esquecer da briga. Uns 500 metros a frente paramos em um desses bares vagabundos e compramos vodka e vinho. Ele sabia que eu gostava de vinho.
A próxima pergunta que esta escrita aqui fala sobre termos feito sexo em alguma parte da noite?! Que mentira deslavada! Não fizemos nada disso. Respeite-me senhor, sou uma bêbada e não uma prostituta.
Ok vou continuar..
Andamos até a praça central da cidade, era conhecida por ser habitada por drogados dos mais diferentes tipos. Sentamos lá e não demorou nem 5 minutos para que uns quatro amigos dele aparecessem por lá. Estavam carregando mochilas com bebidas e drogas para durar uma semana, mas acho que não duraram nem uma hora.
De inicio estava indo tudo normal, eu bebi e fumei muito mais, e em alguma parte da noite eu e Caio acabamos nos pegando em algum muro. Mas que fique claro que não passou disso!
Mais bebida, mais cigarro, mais maconha. Aquilo estava perdendo a graça já e então eles resolveram usar as drogas. Nunca fui a favor de drogas pesadas então recusei a oferta deles milhares de vezes. Lembro de todas as drogas que estavam em cima do banco: crack, heroína, cocaína, speed e oxi.
Ficamos mais ou menos uma hora curtindo aquela onda de músicas psicodélicas e jogando conversas sem o menor sentido fora. Lembro até que acabei pegando um amigo do Caio, não lembro o nome dele mas lembro dos dreads e das tatuagens, lembro de cor as 17 tatuagens...
Não, também não passou disso, eu juro que não fiz sexo naquela noite.
Quando eu decidi usar? O que eu usei? Achei que já tivessem lhe dito essas coisas, mas tudo bem eu explico melhor.
Eu continuei recusando até que o álcool e a maconha não causavam mais nenhum efeito sobre mim. Não, eu não usei por que fiquei com medo que me chamassem de fraca, foi uma decisão minha.
Eles pareciam estar muito melhores que eu, estavam se divertindo mais, a música era melhor no mundo deles. Acho que foi ai que pensei "é só uma vez, não vai mudar em nada minha vida". Sim eu estava errada, nunca é só uma vez e isso muda sua vida pra sempre.
Quando eu pedi cocaína eles ficaram meio espantados e perguntaram se eu tinha certeza disso. Nunca tive tanta certeza na minha vida..
Uma carreira, duas, três, a noite ficava melhor a cada carreira.
Você quer que eu descreva a primeira sensação?
Parece uma enchente. É como ficar em pé na frente de um trem descendo uma montanha a toda velocidade. É como se você tivesse ficado doente por muito, muito tempo, e de repente se sentisse melhor. Você fica feliz. Se sente ridícula de tão feliz. Você sente uma vontade estúpida de rir do mundo inteiro.
A sua pele fica toda formigada, como se você estivesse levemente queimada de sol.
Passamos um bom tempo cantando e dançando entre as ruas. Caio começou a ficar paranoico e dizer que eu estava passando dos limites, então ele começou a me abraçar pra me proteger de mim mesma. Odiei aquilo, o achei patético, eu queria voar.
Um grande problema é que você fica distraída, o que pode te levar a um acidente sério se você corre entre os carros.
É uma coisa que te exige muito fisicamente, e é por isso que não deve ser feita com regularidade. Você não pode viver sob o efeito.
Nas primeiras horas é como se você tivesse 15 metros de altura e seus nervos feitos de ouro. É como se o mundo e você estivem no mesmo ritmo.
O problema esta no depois, quando você começa a voltar ao normal e sua boca fica com um gosto de cinzeiro, qualquer comida parece ser feita de espinhos, água te faz vomitar e respirar te deixa tonta.
Porque eu disse que me arrependi? Vou explicar isso agora.
Quando comecei a ficar sã de novo comecei a pensar em tudo que fiz. Saber que tinha acabado de voltar da "viagem" de uma das coisas que eu mais repugnava no mundo me fazia ficar com nojo de mim, eu estava me sentindo suja. Eu havia traído a mim mesma e a sensação era de uma faca entrando lentamente no lado esquerdo do meu peito.
Só lembro de começar a chorar e sentar na calçada, Caio e o cara dos dreads me abraçaram e perguntaram se eu estava bem.
Oras, que merda de pergunta é essa? Se eu estava bem??
Isso me fazia chorar mais ainda, até que decidi sair correndo de lá, deixei Caio sem dizer nada e sai correndo pela cidade, não sabia pra onde estava indo, só sabia que deveria correr.
Quando percebi que já havia corrido mais de dois quilômetros resolvi sentar e pensar no que fazer, fumei um maço de cigarros que Caio tinha comprado pra mim até que decidisse o que fazer. Andei mais um quilômetro até um terminal de ônibus, estava praticamente vazio. Meu nariz tinha começado a sangrar e eu sequer tinha visto, meu casaco estava sujo de sangue então tirei e fiquei só com uma camiseta fina. Fiquei doente umas duas semanas por ter feito isso.
Uma velhinha parou na minha frente e tentou me ajudar mas eu estava com tanto nojo de mim que não queria que ela me olhasse então comecei a gritar pra que ela saísse.
Fiquei mais algum tempo ali até que consegui me levantar e ir ao banheiro, lembro de ter sujado a pia toda de sangue, era deprimente.
Sentei no chão e fiquei imóvel até me acalmar, queria parecer um pouco normal quando saísse dali. Levantei, arrumei meu cabelo e fiquei me olhando no espelho até enjoar do meu rosto.
Aquela meia-hora esperando o ônibus foram as piores da minha vida, minha roupa arranhava minha pele e eu me sentia despedaçada, como se eu tivesse sido atropelada com muita força mas mesmo assim levantasse e continuasse andando.
Coloquei os meus fones pra tentar me distrair mas as luzes me cegavam cada vez mais, isso sem falar na dor de cabeça insuportável. Acho que dormir no ônibus a caminho de casa.
Quando estava chegando na minha rua eu não aguentava o peso do meu corpo e cai no chão, não conseguia me levantar de jeito nenhum. Tive muita sorte de que um antigo amigo meu que eu não falava a alguns anos me reconheceu e resolveu me ajudar mesmo depois de tudo que fiz a ele. (isso já é outra história)
Ele me deixou em frente ao meu portão sem me dirigir uma palavra, e do mesmo modo foi embora. Foi uma luta atravessar o quintal e subir as escadas, elas estavam enormes nesse dia.
A ultima coisa que me lembro foi de ter me jogado em cima da cama e do meu irmão jogando um cobertor sobre mim, o resto já da pra imaginar não é?!
Acabaram as perguntas? Agora que eu havia me acostumado com isso, confesso que foi divertido até!
Ah, tem mais uma aqui, deve ser de alguma velhinha com pena de mim: "Você acredita em Deus?"
É um jeito estranho de terminar isso, mas não, eu não acredito no seu Deus...
sábado, 16 de julho de 2011
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Andando, rua vazia, encontrei um local no qual havia um grande tumulto, havia até uma fila para ver o porque de tanto alvoroço. Logo pensei que poderia ser alguma briga ou qualquer coisa do tipo. Tentei de todas as formas espiar o que era, mas qualquer esforço fora em vão. Decidi entrar na fila, afinal, eu não tinha nada mesmo para fazer. Como eu não estava muito bem aproveitei o tempo de espera para pensar um pouco. Perdida em meus pensamentos, mal vi o tempo passar e muito menos que a fila já diminuíra significativamente. Logo, eu era a única da fila. Vi em minha frente um garoto, olhos azuis e um pouco cansados, cabelo bagunçado, bem bonito por sinal, segurando uma placa de “free hugs”.
-Quero um amigo – pedi.
-Eu só distribuo abraços...
Fiquei um pouco desapontada, mas afinal, ele estava lá só para isso mesmo.
-Desculpa – falei.
Ele percebeu que eu não estava muito bem, se aproximou e me deu um abraço bem apertado, bem demorado, um dos melhores abraços que eu já recebi.
-Esse foi o primeiro abraço sincero que eu recebi hoje – comentou fazendo pausas.
-Pois é, esse foi o meu primeiro abraço de hoje.
Começou uma grande amizade.
-Quero um amigo – pedi.
-Eu só distribuo abraços...
Fiquei um pouco desapontada, mas afinal, ele estava lá só para isso mesmo.
-Desculpa – falei.
Ele percebeu que eu não estava muito bem, se aproximou e me deu um abraço bem apertado, bem demorado, um dos melhores abraços que eu já recebi.
-Esse foi o primeiro abraço sincero que eu recebi hoje – comentou fazendo pausas.
-Pois é, esse foi o meu primeiro abraço de hoje.
Começou uma grande amizade.
domingo, 8 de maio de 2011
Através da noite foi a lua que revelou o sonho.
Através da noite eu dormi e me apaixonei.
Sinto-me cansada e adormecida em um oceano profundo.
Não queria chorar mas naquele momento me permiti que chorasse e
dissesse que te amo.
Não quero que essa noite acabe mais.
Quero que tudo continue através da noite..
Através da noite eu dormi e me apaixonei.
Sinto-me cansada e adormecida em um oceano profundo.
Não queria chorar mas naquele momento me permiti que chorasse e
dissesse que te amo.
Não quero que essa noite acabe mais.
Quero que tudo continue através da noite..
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Dos prazeres de Sofia
Sofia sempre foi diferente, nunca gostou do mundo que vivia. Ela gostava de um mundo só dela, um mundo em que ela só encontrava quando se perdia.
Em meados de abril, em um outono não muito suportável ela resolveu sair um pouco mais do comum, fez amigos novos, foi a lugares novos, experimentou coisas novas. Tudo aquilo era simplesmente fascinante pra ela. Não havia um dia em que ela não fosse dormir com um sorriso no rosto por ver que sua vida finalmente tinha se tornado o que ela queria.
Ou pelo menos o que ela achava que queria...
Sofia esqueceu que as conseqüências viriam um dia, esqueceu que tudo que de mal que você faz volta pra você, não que ser feliz fosse algo ruim, muito pelo contrário, mas o que ela estava fazendo para ser feliz era.
Ela passava dos limites e não ligava pro próximo dia, ela abusava das substancias que deixavam ela feliz que por mais que fosse momentâneo a deixavam embriagada de amor, mas ela queria mais, ela queria viver pra sempre naquele mundo.
Aquele maldito mundo, onde todas as cores tinham um brilho imensuravelmente forte, onde as músicas entravam em sua cabeça como uma batida que lhe davam uma sensação de só conter notas ao invés de sangue em seu coração, Sofia não queria mais sair daquele mundo, aquele mundo em que havia sabores no vento.
Ela se afundou em seu mundo, virou escrava de suas emoções, um zumbi criado por ela mesma. Ela esqueceu que havia uma vida lá fora esperando para ser vivida.
Não lembro bem quando foi, mas Sofia havia parado um pouco com sua vida de felicidades momentâneas e se esforçou ao máximo para voltar a real. Ela tentou, tentou com todas as forças que haviam dentro de si, mas não deu. Ela não aguentava mais, ela precisava voltar, aquela realidade estava destruindo Sofia aos poucos.
Ela voltou, a garota inútil que tinha medo de viver voltou à mesma porcaria de vida de antes, não queria mais saber de futuro, não queria mais saber do mundo, não queria mais saber de Sofia.
Assim que voltou fez questão de fazer tudo em dobro, não queria saber das consequências, queria sentir em seu sangue as batidas da liberdade.Ela só não contava com aquela voz em sua cabeça, aquela voz que dizia repetidamente para que ela parasse com aquilo tudo, ainda havia tempo. Sofia não parou.
Sofia começou a sentir seu sangue ficar quente, tudo girava, nada mais fazia sentido e ela gostava disso.
A voz não parava um instante sequer, Sofia continuava, a voz insistia, Sofia aumentava a dose, a voz implorava para que ela parasse.
Sofia parou.
Ela não sentia mais nada, não ouvia as batidas, não via as cores, ela via pessoas correndo a seu encontro. Ela não entendia direito o que estava acontecendo mas a sensação de estar perdendo o sentido de todas as partes do seu corpo continuavam a aumentar.
Sofia daria tudo pra voltar no tempo e escutar aquela voz.
Mas era tarde demais, Sofia não aguentava mais a dor que sentia, não aguentava mais o gosto de seu sangue que estava em sua garganta quente como a lava de um vulcão, não aguentava mais olhar ao lado e ver todos com pena e com espanto, seus olhos pegavam fogo, sua mão congelada tentava relutar contra ela mesma.
Parece que o tão esperado dia chegou, Sofia finalmente conseguiu o que queria.
Sofia não existia mais...
Em meados de abril, em um outono não muito suportável ela resolveu sair um pouco mais do comum, fez amigos novos, foi a lugares novos, experimentou coisas novas. Tudo aquilo era simplesmente fascinante pra ela. Não havia um dia em que ela não fosse dormir com um sorriso no rosto por ver que sua vida finalmente tinha se tornado o que ela queria.
Ou pelo menos o que ela achava que queria...
Sofia esqueceu que as conseqüências viriam um dia, esqueceu que tudo que de mal que você faz volta pra você, não que ser feliz fosse algo ruim, muito pelo contrário, mas o que ela estava fazendo para ser feliz era.
Ela passava dos limites e não ligava pro próximo dia, ela abusava das substancias que deixavam ela feliz que por mais que fosse momentâneo a deixavam embriagada de amor, mas ela queria mais, ela queria viver pra sempre naquele mundo.
Aquele maldito mundo, onde todas as cores tinham um brilho imensuravelmente forte, onde as músicas entravam em sua cabeça como uma batida que lhe davam uma sensação de só conter notas ao invés de sangue em seu coração, Sofia não queria mais sair daquele mundo, aquele mundo em que havia sabores no vento.
Ela se afundou em seu mundo, virou escrava de suas emoções, um zumbi criado por ela mesma. Ela esqueceu que havia uma vida lá fora esperando para ser vivida.
Não lembro bem quando foi, mas Sofia havia parado um pouco com sua vida de felicidades momentâneas e se esforçou ao máximo para voltar a real. Ela tentou, tentou com todas as forças que haviam dentro de si, mas não deu. Ela não aguentava mais, ela precisava voltar, aquela realidade estava destruindo Sofia aos poucos.
Ela voltou, a garota inútil que tinha medo de viver voltou à mesma porcaria de vida de antes, não queria mais saber de futuro, não queria mais saber do mundo, não queria mais saber de Sofia.
Assim que voltou fez questão de fazer tudo em dobro, não queria saber das consequências, queria sentir em seu sangue as batidas da liberdade.Ela só não contava com aquela voz em sua cabeça, aquela voz que dizia repetidamente para que ela parasse com aquilo tudo, ainda havia tempo. Sofia não parou.
Sofia começou a sentir seu sangue ficar quente, tudo girava, nada mais fazia sentido e ela gostava disso.
A voz não parava um instante sequer, Sofia continuava, a voz insistia, Sofia aumentava a dose, a voz implorava para que ela parasse.
Sofia parou.
Ela não sentia mais nada, não ouvia as batidas, não via as cores, ela via pessoas correndo a seu encontro. Ela não entendia direito o que estava acontecendo mas a sensação de estar perdendo o sentido de todas as partes do seu corpo continuavam a aumentar.
Sofia daria tudo pra voltar no tempo e escutar aquela voz.
Mas era tarde demais, Sofia não aguentava mais a dor que sentia, não aguentava mais o gosto de seu sangue que estava em sua garganta quente como a lava de um vulcão, não aguentava mais olhar ao lado e ver todos com pena e com espanto, seus olhos pegavam fogo, sua mão congelada tentava relutar contra ela mesma.
Parece que o tão esperado dia chegou, Sofia finalmente conseguiu o que queria.
Sofia não existia mais...
quinta-feira, 7 de abril de 2011
A menina que roubava livros,

Acabo de perceber que, se algum dia tive pretensões como crítico literário, foram grandes ilusões. Um crítico precisa ser mais racional e analítico, já eu, sou facilmente conquistado por uma simples história diferente, porém profunda.
Mas também, quando a morte conta uma história, você deve parar para ler.
Liesel Meminger é a menina que nossa narradora — a morte — encontrou três vezes. A garotinha conseguiu tapeá-la nas três.
Impressionada, a ceifadora de almas decide nos contar sua trajetória, pois, como ela mesma diz, em seu ramo de trabalho, o único dom que lhe salva é a distração. Ela mantém sua sanidade.
Apresentando
A Alemanha nazista.
Uma menina com um irmão morto.
Um livro preto com letras prateadas.
Neve.
Dois pais de criação.
A mulher com punhos de ferro.
O enrolador de cigarros.
Um judeu escondido no porão.
Palavras…
…e bombas.
. Eis um pequeno fato .
Você vai morrer.
A pergunta é: qual será a cor de tudo nesse momento em que eu chegar para buscar você? Que dirá o céu?
. Uma pequena teoria .
As pessoas só observam as cores do dia no começo e no fim,
mas, para mim, está muito claro que o dia se funde através de uma multidão
de matizes e entonações a cada momento que passa.
Uma só hora pode constituir em milhares
de cores diferentes — amarelos céreos, azuis borrifados de nuvens. Escuridões enevoadas.
No meu ramo de atividade, faço questão de notá-los.
Primeiro aparece uma coisa branca. Do tipo ofuscante. É muito provável que alguns de vocês achem que o branco não é realmente uma cor, e todo esse tipo batido de absurdo. O branco é sem dúvida uma cor e, pessoalmente, acho que você não vai querer discutir comigo.
. Um anúncio tranqüilizador .
Por favor, mantenha a calma, apesar da ameaça anterior.
Sou só garganta…
Não sou violenta.
Não sou maldosa.
Sou só um resultado
Ei, acorde! Ela não está atrás de você, ela sequer procura você. Ela só chega quando é tarde demais. E faz o seu trabalho.
Como eu falei, parece muito mais humano passar as sensações que um livro possa trazer.
Alegria.
Ternura.
Tristeza.
Euforismo.
Solidão.
Orgulho.
Medo…
…e a Morte.
Foi nos livros que Liesel viu a oportunidade de fugir daquilo tudo que a perseguia. Ela esquecia do irmão morto com um olho aberto, no chão do vagão do trem.
Ensinaram-na a ler. Um certo enrolador de cigarros e um acordeonista.
No abrigo, durante os bombardeios, ela sacudia as palavras para manter todos mais calmos. E longe de mim. Era a sacudidora de palavras.
Até que um dia ela escreveu seu próprio livro.
Até que um dia as sirenes não tocaram para avisar sobre as bombas.
Até que um dia a rua Himmel foi devastada.
Até que um dia só sobrou a menina que roubava livros nos escombros de um porão raso demais para suportar.
Uma sobrevivente.
Um acordeão quebrado.
Um beijo tarde demais.
Um livro perdido e devolvido em tempo.
Venha comigo, quero lhe contar uma história. Vou lhe mostrar uma coisa.
. A nota final de sua narradora . – Os seres humanos me assombram.
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Desistir;
E então, é isso que você pensou pra sua vida? Tentar, tentar e tentar pra no final desistir? Foi isso que você esperou de você mesmo?
Sinceramente, me faça o favor de parar com seu drama todo e erguer a cabeça. Vai continuar no chão depois de cair? Achou mesmo que nunca ia passar por isso? Me desculpe mas você esta completamente enganado.
Nem tudo que reluz é ouro, praticamente todos os dias você vai encontrar um novo desafio. Só cabe a você agora decidir se vai desistir no primeiro obstáculo ou continuar nessa.
E me faça um favor, antes de tremer as pernas pelo inconquistável e apagar as luzes do mundo por um único brilho falso, olhe dentro de você e pergunte: estupidez, masoquismo ou medo de viver de verdade?
Sinceramente, me faça o favor de parar com seu drama todo e erguer a cabeça. Vai continuar no chão depois de cair? Achou mesmo que nunca ia passar por isso? Me desculpe mas você esta completamente enganado.
Nem tudo que reluz é ouro, praticamente todos os dias você vai encontrar um novo desafio. Só cabe a você agora decidir se vai desistir no primeiro obstáculo ou continuar nessa.
E me faça um favor, antes de tremer as pernas pelo inconquistável e apagar as luzes do mundo por um único brilho falso, olhe dentro de você e pergunte: estupidez, masoquismo ou medo de viver de verdade?
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Me dê algo a mais
Completo o copo com conhaque, acendo mais um cigarro, e me ajeito no sofá.
Entre uma tragada e um gole, sinto meus olhos arderem.
Às vezes a impressão que tenho é a de que vou explodir e virar milhares de moléculas, sem importância alguma.
Às vezes eu não tenho a mínima vontade de seguir em frente.
E na maioria dessas vezes, é porque eu não encontro um motivo, uma razão para continuar.
Me desculpe se a sua idéia de felicidade é medíocre, a minha não é.
Felicidade pra mim não é encontrar o amor da minha vida, e viver feliz para sempre lavando roupa e cuidando dos filhos.
Eu quero um veneno anti-monotonia (como já dizia o poeta), quero mudanças, quero diferenças, quero espetáculos, quero viver, quero morrer, quero ressuscitar.
Quero fechar os olhos, e enquanto o filme da minha vida passar na minha mente, eu ter certeza de que valeu a pena. De que todos os sacrifícios serviram para algo, de que não foi em vão, de que eu venci, e da maneira errada, pelo caminho mais difícil, escolhendo o lado mais complicado.
E não importa se daqui a alguns anos eu continuar na mesma situação financeira, não importa se eu nunca puder conhecer a tão adorada Inglaterra. Eu só preciso de musica e um motivo pra continuar.
Não quero me perder na ilusão de uma felicidade inventada.
Nada nunca vai ser perfeito ou fácil, aceite isso e me dê mais um cigarro e mais um gole, por favor.
Entre uma tragada e um gole, sinto meus olhos arderem.
Às vezes a impressão que tenho é a de que vou explodir e virar milhares de moléculas, sem importância alguma.
Às vezes eu não tenho a mínima vontade de seguir em frente.
E na maioria dessas vezes, é porque eu não encontro um motivo, uma razão para continuar.
Me desculpe se a sua idéia de felicidade é medíocre, a minha não é.
Felicidade pra mim não é encontrar o amor da minha vida, e viver feliz para sempre lavando roupa e cuidando dos filhos.
Eu quero um veneno anti-monotonia (como já dizia o poeta), quero mudanças, quero diferenças, quero espetáculos, quero viver, quero morrer, quero ressuscitar.
Quero fechar os olhos, e enquanto o filme da minha vida passar na minha mente, eu ter certeza de que valeu a pena. De que todos os sacrifícios serviram para algo, de que não foi em vão, de que eu venci, e da maneira errada, pelo caminho mais difícil, escolhendo o lado mais complicado.
E não importa se daqui a alguns anos eu continuar na mesma situação financeira, não importa se eu nunca puder conhecer a tão adorada Inglaterra. Eu só preciso de musica e um motivo pra continuar.
Não quero me perder na ilusão de uma felicidade inventada.
Nada nunca vai ser perfeito ou fácil, aceite isso e me dê mais um cigarro e mais um gole, por favor.
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Otherside,
Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem de minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio. Descobri, enfim, que o amor não é um estado da alma e sim um signo do Zodíaco.
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
É Fá, Fá maior...
"Hey Jude, don't make it bad, take a sad song and make it better"
-É Fá, Fá maior.
-O que?
-Você tocou errado, é Fá maior.
-Ah sim, eu estava distraído, nem tinha te visto aí.
-Eu sei, você nunca vê, mas... eu sempre te escuto.
-É? Não achei que alguém se importasse com o que eu toco, mas se você sempre escuta, acho que gosta. Certo?
-Gosto da sua voz.
-Legal. Mas, como eu nunca te vi por aqui?
-Eu já disse, você nunca me vê. Está tão perdido nas suas próprias dúvidas, que não percebe o que está a sua volta.
-Acho que você sabe mais sobre mim do que eu mesmo.
-Você se engana, sei tanto de você quanto você sabe de mim: nada.
-Mas...
-Mas eu te observo, e então deduzo algumas coisas, que pelo jeito estão certas.
-É, realmente estão certas. Mas qual o seu interesse em observar um desconhecido que fica tocando violão em uma praça?
-Eu sempre pensei que me apaixonaria por um desconhecido. E eu estava certa, o único interesse em te observar é que quando te olhei sabia que você era o cara que iria trazer todos os problemas que eu tenho fugido todo esse tempo.
-Problemas, então você acha que eu vou te trazer problemas?
-Não acho, tenho certeza. Você poderia continuar tocando? Eu amo sua voz nessa música, e não esquece: é Fá maior.
-É Fá, Fá maior.
-O que?
-Você tocou errado, é Fá maior.
-Ah sim, eu estava distraído, nem tinha te visto aí.
-Eu sei, você nunca vê, mas... eu sempre te escuto.
-É? Não achei que alguém se importasse com o que eu toco, mas se você sempre escuta, acho que gosta. Certo?
-Gosto da sua voz.
-Legal. Mas, como eu nunca te vi por aqui?
-Eu já disse, você nunca me vê. Está tão perdido nas suas próprias dúvidas, que não percebe o que está a sua volta.
-Acho que você sabe mais sobre mim do que eu mesmo.
-Você se engana, sei tanto de você quanto você sabe de mim: nada.
-Mas...
-Mas eu te observo, e então deduzo algumas coisas, que pelo jeito estão certas.
-É, realmente estão certas. Mas qual o seu interesse em observar um desconhecido que fica tocando violão em uma praça?
-Eu sempre pensei que me apaixonaria por um desconhecido. E eu estava certa, o único interesse em te observar é que quando te olhei sabia que você era o cara que iria trazer todos os problemas que eu tenho fugido todo esse tempo.
-Problemas, então você acha que eu vou te trazer problemas?
-Não acho, tenho certeza. Você poderia continuar tocando? Eu amo sua voz nessa música, e não esquece: é Fá maior.
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