sexta-feira, 24 de agosto de 2012
Eu sou a pior espécie da minha geração. Puta, carente, cheia de tesão e mimada como o diabo. Reclamo com os olhos lacrimejando e a barriga cheia, enquanto os celibatos, os católicos e os vegans me olham com reprovação, bravejando minha infâmia, minha falta de educação. Foi porque não nasci pra ser educada. Nasci pra rasgar os livros e dar dedo pra deus e pra bíblia e pros fiéis. Nasci para cuspir em cima do que me ditaram. Não nasci pra soletrar e nem mesmo para acreditar nas verdades inventadas por cristãos infelizes. Não nasci pra sociedade moldar meu sentido vital, se alimentar do meu sangue e me dizer que eu não deveria abrir as pernas pra qualquer um. Garotas nascem com suas mães ditando que não podem ser assim, que têm que cruzar as pernas e não mostrar os dentes. Eu abri um rasgo no meu rosto para que pudessem enxergar minha arcada e se assustassem. Eu sou o pior tipinho de vagabunda que uma sociedade pós-moderna e ao mesmo tempo arcaica pode criar. Eu sou um bebê podre, um fruto sem futuro, sem grandes planos, sem grandes empregos. Eu sou aquele fracasso que sempre é dosado com esperança. Eu sou aquilo que foge aos olhos, como uma experiência que deu errada. Eu faço parte de 80% da população brasileira, mas infelizmente, ninguém dá bola.
24 de Agosto de 2012
Chame de crise de identidade, de pouca idade, de meia idade, ou de não-idade. Chame do que quiser, mas não chame de drama. É apenas um número, e nunca possuiu tamanho valor, mas mesmo não sendo relevante, ele pesa. Eu tenho dezesseis anos, e não sei se devo pensar que "sou velha demais e preciso escolher um futuro" ou se "sou nova demais, ainda tenho tempo pra isso". Sendo sincera, não estou pronta. Quero subir os degraus da vida, e alcançar o topo, mas não agora. Não assim.. Eu sou a margem, eu quero que o tempo pare, e quero agora, antes que todos os anos sejam jogados no lixo, antes que envelheçamos e eu me separe das pessoas que me fazem bem. Que pare agora, que seja intenso, que tenha emoção, que me mostre a verdade, que me diga onde não ir para que eu vá justamente por esse lado.
Porque, Tempo? Porque tão rápido? Tão descontrolado? Porque tão tempo?
É meu aniversário, e eu ainda não sei como enfrentar.
Porque, Tempo? Porque tão rápido? Tão descontrolado? Porque tão tempo?
É meu aniversário, e eu ainda não sei como enfrentar.
segunda-feira, 2 de julho de 2012
Gosto dos devaneios que a poesia me permite viver.
Se utópicas conjeturas,
Reais para mim.
Presságios lentos e atentos para um talvez
Voz de um sonho ainda carente
De um ser sem dom ou talento para acelerar o tempo
De mover céus terras, cortá-los em pedaços
remontá-lo como um deus com pressa
De juntar a tua cidade a minha
A tua rua a minha...e assim domar tempo e distancia
Tornando-o dócil e obediente
Fazer de todos os elementos da natureza
Uma mulher de olhar arrogante que desafio
Que abra lacunas em todas as minha certezas
Que logo depois eu fecho com poesias
Julgo possíveis e impossíveis apenas no meu querer....
O rio dos pensamentos lógicos
Já não seguem seu curso natural
Corre em desfavor do declive
Faz negar a minha loucura natural de mudar o amanhã....
Que posso fazer com esses quilômetros
Se aprisionado na falta do teu toque
Causa frisson quando penso em seu nome
E arrepios na alma escrava dos nossos desejos?
Hoje, só tenho a certeza das duvidas verdes
Que só o tempo revela e faz amadurecer amanhã.
Vou andando mesmo
preciso pensar no tempo
Se utópicas conjeturas,
Reais para mim.
Presságios lentos e atentos para um talvez
Voz de um sonho ainda carente
De um ser sem dom ou talento para acelerar o tempo
De mover céus terras, cortá-los em pedaços
remontá-lo como um deus com pressa
De juntar a tua cidade a minha
A tua rua a minha...e assim domar tempo e distancia
Tornando-o dócil e obediente
Fazer de todos os elementos da natureza
Uma mulher de olhar arrogante que desafio
Que abra lacunas em todas as minha certezas
Que logo depois eu fecho com poesias
Julgo possíveis e impossíveis apenas no meu querer....
O rio dos pensamentos lógicos
Já não seguem seu curso natural
Corre em desfavor do declive
Faz negar a minha loucura natural de mudar o amanhã....
Que posso fazer com esses quilômetros
Se aprisionado na falta do teu toque
Causa frisson quando penso em seu nome
E arrepios na alma escrava dos nossos desejos?
Hoje, só tenho a certeza das duvidas verdes
Que só o tempo revela e faz amadurecer amanhã.
Vou andando mesmo
preciso pensar no tempo
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Voltei. Tu continua prosseguindo. E a minha cabeça não esfria por nada. Já minhas mãos estão quase congeladas. Alcancei tamanha altitude que não sei em que pico fui parar. Eu tô no alto, eu tô no alto – eu dizia como se fosse o que eu mais queria. Pude ver tudo; Todos pareciam formigas. Numa dessas enfrentei todas as turbulências, voei mais alto do que se podia imaginar. Era meu sonho, era o que eu mais queria, eu era apenas uma garotinha que queria saber como eram as coisas vistas de cima.
“Não ouse desistir de tudo o que você sonhou”.
Eu não apareci ontem. Ficou um vácuo, uma ausência, um laço cortado. Deixou a essência. Construiu e deixou pra trás. Ora, que injusto eu falar assim. Construiu e seguiu em paz, tinha muito o que viver, me encanto tanto com teu jeito de homem por fora, por dentro um menino-rapaz. Você cativou até mesmo quem não queria. Por isso eu estava lá todos os dias. Porque se cada dia é uma luta, cada segundo um confronto, teria maior sentido pra viver do que se não por um sonho?
Eu te entendo, ainda que por dentro eu queira te matar. E mais dentro ainda estou louca pra te ver voar.
Espero que aprecie esse café-com-drama e que ele te mantenha acordado para esse recomeço.
Eu sei, tenho que aceitar que nossos caminhos são diferentes, mas ainda posso lembrar que enquanto o nosso percurso foi o mesmo, foi como um entorpecente. Estava eu, dopada, falando o que sóbria jamais falaria. Estava eu, apaixonada, acreditando que tu ficaria. Estou eu, atordoada, procurando uma saída. E se eu tivesse te pedido pra mudar o caminho e seguir pro meu? Mudaria alguma coisa ou ainda assim não era meu? Pelo menos a Lua que nos cobre é a mesma. Deixe estar. Enquanto o mundo grita lá fora, aqui dentro permanece o silêncio. Meu maior medo é saber que tu não tinhas medo. Como assim? Nada te atinge? Nada te agride? Nada te arrepia? Como assim? Anotei teu endereço, mas me perco todos os dias.
Eu não posso dizer que perdemos tudo, se não tivemos nada. Eu não posso lamentar nenhum segundo, se isso foi uma história mal contada. Ele é um estranho, ele mal se conhece. Ele invade os meus sonhos, já que o tirei da minha realidade. Ele atrapalha meu sono, ele não sabe da metade. Ele me pede respostas, eu só pergunto. Somos tão diferentes que chegamos a sermos iguais. Mas eu não quero, não mais. Ou quero não querer. Ora, tanto faz, eu te quero cada vez mais.
“Não ouse desistir de tudo o que você sonhou”.
Eu não apareci ontem. Ficou um vácuo, uma ausência, um laço cortado. Deixou a essência. Construiu e deixou pra trás. Ora, que injusto eu falar assim. Construiu e seguiu em paz, tinha muito o que viver, me encanto tanto com teu jeito de homem por fora, por dentro um menino-rapaz. Você cativou até mesmo quem não queria. Por isso eu estava lá todos os dias. Porque se cada dia é uma luta, cada segundo um confronto, teria maior sentido pra viver do que se não por um sonho?
Eu te entendo, ainda que por dentro eu queira te matar. E mais dentro ainda estou louca pra te ver voar.
Espero que aprecie esse café-com-drama e que ele te mantenha acordado para esse recomeço.
Eu sei, tenho que aceitar que nossos caminhos são diferentes, mas ainda posso lembrar que enquanto o nosso percurso foi o mesmo, foi como um entorpecente. Estava eu, dopada, falando o que sóbria jamais falaria. Estava eu, apaixonada, acreditando que tu ficaria. Estou eu, atordoada, procurando uma saída. E se eu tivesse te pedido pra mudar o caminho e seguir pro meu? Mudaria alguma coisa ou ainda assim não era meu? Pelo menos a Lua que nos cobre é a mesma. Deixe estar. Enquanto o mundo grita lá fora, aqui dentro permanece o silêncio. Meu maior medo é saber que tu não tinhas medo. Como assim? Nada te atinge? Nada te agride? Nada te arrepia? Como assim? Anotei teu endereço, mas me perco todos os dias.
Eu não posso dizer que perdemos tudo, se não tivemos nada. Eu não posso lamentar nenhum segundo, se isso foi uma história mal contada. Ele é um estranho, ele mal se conhece. Ele invade os meus sonhos, já que o tirei da minha realidade. Ele atrapalha meu sono, ele não sabe da metade. Ele me pede respostas, eu só pergunto. Somos tão diferentes que chegamos a sermos iguais. Mas eu não quero, não mais. Ou quero não querer. Ora, tanto faz, eu te quero cada vez mais.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Dos Prazeres de Sofia - Parte III
-Do capitulo das confissões-
Sinto que, a partir de agora, tudo o que venho guardando tenha que ser dito. Não consigo mais senti-la, mesmo estando colada em ti, não consigo mais sentir teu sangue correndo em minhas veias. E se isso continuar não poderei sequer sentir tua respiração, tua pele quente e macia, envolta em movimentos brutos.
Eu queria poder ir embora, tenho a anos tentado fugir de você, desde o momento em que senti tua mão encostar na minha, havia decidido ali que deveria ir embora. Por que? Porque desde a primeira vez que a vi soube que eu iria te amar acima de qualquer coisa, por livre e espontânea vontade eu larguei toda aquela porcaria de vida que eu levava. Quando você me abraçou decidi que queria ter um sangue mais limpo, e cada toque seu me fazia lembrar o lixo de pessoa que eu havia me tornado e, quando senti teu coração ligado ao meu, parei de beber pois já estava embriagada de tudo que vinha de você.
Tentei me tornar alguém pois achava que você iria odiar tudo em mim se descobrisse quem eu era. Quis te abandonar por te amar cada vez mais, quis te abandonar por não querer deixar de ser essa inconstante máquina de auto-destruição, não queria deixar de ser cinza. Eu nunca quis ser alguém, isso tudo nunca fez diferença pra mim, não fazia diferença estar viva ou morta, ter alguém ou não.
E tudo deixou de ser assim quando te conheci, eu desejei ser outra, eu mudei tentando fazer com que você sentisse por mim o mesmo que eu sentia por ti. Tornei-me fogo, um fogo impossível de se conter. Queimei tudo o que havia de passado em mim, queimei minha vida, criei um eu diferente. Destruí tudo o que havia de Sofia, senti-me mais pura, senti que era assim que eu deveria ser, por você, tornei-me outra.
E com o passar do tempo, me acomodei, tendo seu amor pouco me importava aquela maldita voz em minha cabeça que sempre dizia "A verdadeira Sofia jamais aceitaria isso". As vezes até tentava me lembrar de quem eu era, tentava associar as fotos ao passado, os cheiros aos momentos. Mas era em vão, eu havia realmente queimado tudo o que existia de Sofia em mim. Quer dizer, nem tudo, sentia que lá no fundo eu não havia mudado em nada, apenas enchi de máscaras minha verdadeira face.
E porque?
Agora eu me pergunto.
Por que tudo isso?
Tive medo de perde-la, tanto medo que preferi perder-me e preencher o espaço vazio com sua presença. Por esse amor desejei outro mundo, desejei tanto que acabei esquecendo quem eu realmente era. E quando dei por mim, lembrei de tudo que havia feito, de tudo que havia de passado em mim. E assim, todas as lembranças que eu jurava ter destruído voltaram a tona, um turbilhão de memórias, uma força brutal, tão brutal que ao se juntar com oque eu havia me tornado arrastou-me com tamanha rapidez ao fundo de mim que não pude lutar.
E por muito tempo eu permaneci lá...
Cheguei ao fundo de mim e me afogava cada vez mais em um oceano de Sofia, cheio de lembranças e presenças, musicas e fotos, fatos e tragédias. Me vi mergulhando em busca de mim mesma, sendo arrastada por correntezas de quem eu acreditava ser. Até que tudo se apagou.
Achei que ali seria o fim, que após todo esse ocorrido eu só teria que finalizar a história, só mais um ponto final e tudo acabaria...
Foi então que eu a vi, com aquele cabelo curto e bagunçado, com olhos tão negros que se podia observar o universo através deles, e senti que não era ali que eu deveria colocar o ponto final. Que eu a amava mais do que qualquer coisa no mundo, e que independentemente da pessoa que eu fosse, eu teria o amor dela, que independentemente do que eu fizesse, ainda poderia sentir o sangue dela em minhas veias, e que eu seria sempre o centro do universo dela.
E então, finalmente, eu escapei de todas aquelas correntezas que me levavam ao fundo, senti meu sangue queimando em minhas veias, senti meu coração pulsando cada vez mais rápido e me dando uma força descomunal, e usei de toda aquela força pra voltar a superfície de mim, nadei até não poder mais, nadei até a superfície do meu oceano.
Fiquei ali, por horas, flutuando. Vi que a Sofia que eu realmente era nunca foi nenhumas das duas que eu imaginava ser, me senti leve, vi que a verdadeira Sofia não era tão ruim quanto eu pensava, e afinal, me senti sendo humana. Tendo amor e ódio lado a lado, pude respirar, e todo o oxigênio que entrava em meus pulmões era doce, suave, leve como uma brisa.
E continuei ali, flutuando naquela calmaria de mim...
Continuei até o momento que ondas de fúria começaram a me levar ao fundo, de novo, eram enormes, amargas, não permitiam que eu sequer tivesse tempo de lutar contra elas, me acertavam de todos os lados. E eu tentava reagir, não queria voltar ao fundo, eu finalmente havia me encontrado e não queria de forma alguma ser levada por aquelas ondas.
Nunca tive força contra elas...
Estava afundando novamente, e cada vez mais. A luz diminuía, meu sangue estava ficando gelado, cada vez mais, cada vez mais escuro, cade vez mais gelado. Até que se congelou.
Quis ser levada por aquelas correntezas doces que cortavam meu oceano,mas elas eram brutalmente cortadas por correntezas amargas. E eu sentia que estava voltando ao zero. Estava novamente presa ao fundo de mim, com todas aquelas lembranças, havia perdido de vez aquela calmaria que a pouco se instalara, meu oxigênio começou a ficar raso, e o pouco que eu podia prender estava repleto de lâminas de ódios que me destruíam por dentro. E meu coração ficou fraco, novamente.
E por muito tempo fiquei presa ali, de corrente em corrente, e sem perceber ficava com marcas após passar por elas, marcas que provavelmente seriam eternas ou ao menos duradouras. Tive vontade de colocar o ponto final ali, quis desistir e esquecer que um dia tive tanto amor dentro de mim.
Até que tudo se acalmou...
Quando dei por mim tudo o que eu tinha conquistado havia se estilhaçado, tornaram-se areia todas as minhas esperanças e quando tentei pega-las novamente, escorregaram-se por entre meus dedos. E eu não tinha mais nada a fazer.
Só então eu acordei de mim.
Com toda aquela tempestade não pude notar que tudo havia se misturado, o amor e o ódio tomaram proporções assustadoras e desafiavam-se a todo momento dentro de mim. Tornei-me outra Sofia, uma Sofia estranha ao mundo, uma nova. Uma mistura de todas as outras que ao se juntarem, tornaram-me irreconhecível.
Continuei amando aquela garota com olhos negros que me levara a tudo isso, mas nossas batidas haviam saído do ritmo, nada que eu havia construído fazia sentido e o ponto final me parecia cada vez mais próximo e ao mesmo tempo mais distante.
Eu fui por muito tempo 8, depois fui 80 e agora me tornei 46.
Continuei sendo Sofia, mas havia agora uma sensação nova, de não pertencer mais a mim, uma sensação desconhecida de não poder dominar meu próprio mundo.
Eu a amei tanto que acabei perdendo o controle, e mesmo assim, mesmo depois de tudo, eu quis fugir e não pude, pois sabia que a unica coisa real que ainda existia em mim era aquele amor.
O meu.
O seu.
O nosso.
E agora, depois de tantas tempestades, encontrei calmaria. E mesmo sabendo que muitas delas ainda estariam por vir, e mesmo com essa sensação de não morar mais em mim, pude descansar, enfim...
Sinto que, a partir de agora, tudo o que venho guardando tenha que ser dito. Não consigo mais senti-la, mesmo estando colada em ti, não consigo mais sentir teu sangue correndo em minhas veias. E se isso continuar não poderei sequer sentir tua respiração, tua pele quente e macia, envolta em movimentos brutos.
Eu queria poder ir embora, tenho a anos tentado fugir de você, desde o momento em que senti tua mão encostar na minha, havia decidido ali que deveria ir embora. Por que? Porque desde a primeira vez que a vi soube que eu iria te amar acima de qualquer coisa, por livre e espontânea vontade eu larguei toda aquela porcaria de vida que eu levava. Quando você me abraçou decidi que queria ter um sangue mais limpo, e cada toque seu me fazia lembrar o lixo de pessoa que eu havia me tornado e, quando senti teu coração ligado ao meu, parei de beber pois já estava embriagada de tudo que vinha de você.
Tentei me tornar alguém pois achava que você iria odiar tudo em mim se descobrisse quem eu era. Quis te abandonar por te amar cada vez mais, quis te abandonar por não querer deixar de ser essa inconstante máquina de auto-destruição, não queria deixar de ser cinza. Eu nunca quis ser alguém, isso tudo nunca fez diferença pra mim, não fazia diferença estar viva ou morta, ter alguém ou não.
E tudo deixou de ser assim quando te conheci, eu desejei ser outra, eu mudei tentando fazer com que você sentisse por mim o mesmo que eu sentia por ti. Tornei-me fogo, um fogo impossível de se conter. Queimei tudo o que havia de passado em mim, queimei minha vida, criei um eu diferente. Destruí tudo o que havia de Sofia, senti-me mais pura, senti que era assim que eu deveria ser, por você, tornei-me outra.
E com o passar do tempo, me acomodei, tendo seu amor pouco me importava aquela maldita voz em minha cabeça que sempre dizia "A verdadeira Sofia jamais aceitaria isso". As vezes até tentava me lembrar de quem eu era, tentava associar as fotos ao passado, os cheiros aos momentos. Mas era em vão, eu havia realmente queimado tudo o que existia de Sofia em mim. Quer dizer, nem tudo, sentia que lá no fundo eu não havia mudado em nada, apenas enchi de máscaras minha verdadeira face.
E porque?
Agora eu me pergunto.
Por que tudo isso?
Tive medo de perde-la, tanto medo que preferi perder-me e preencher o espaço vazio com sua presença. Por esse amor desejei outro mundo, desejei tanto que acabei esquecendo quem eu realmente era. E quando dei por mim, lembrei de tudo que havia feito, de tudo que havia de passado em mim. E assim, todas as lembranças que eu jurava ter destruído voltaram a tona, um turbilhão de memórias, uma força brutal, tão brutal que ao se juntar com oque eu havia me tornado arrastou-me com tamanha rapidez ao fundo de mim que não pude lutar.
E por muito tempo eu permaneci lá...
Cheguei ao fundo de mim e me afogava cada vez mais em um oceano de Sofia, cheio de lembranças e presenças, musicas e fotos, fatos e tragédias. Me vi mergulhando em busca de mim mesma, sendo arrastada por correntezas de quem eu acreditava ser. Até que tudo se apagou.
Achei que ali seria o fim, que após todo esse ocorrido eu só teria que finalizar a história, só mais um ponto final e tudo acabaria...
Foi então que eu a vi, com aquele cabelo curto e bagunçado, com olhos tão negros que se podia observar o universo através deles, e senti que não era ali que eu deveria colocar o ponto final. Que eu a amava mais do que qualquer coisa no mundo, e que independentemente da pessoa que eu fosse, eu teria o amor dela, que independentemente do que eu fizesse, ainda poderia sentir o sangue dela em minhas veias, e que eu seria sempre o centro do universo dela.
E então, finalmente, eu escapei de todas aquelas correntezas que me levavam ao fundo, senti meu sangue queimando em minhas veias, senti meu coração pulsando cada vez mais rápido e me dando uma força descomunal, e usei de toda aquela força pra voltar a superfície de mim, nadei até não poder mais, nadei até a superfície do meu oceano.
Fiquei ali, por horas, flutuando. Vi que a Sofia que eu realmente era nunca foi nenhumas das duas que eu imaginava ser, me senti leve, vi que a verdadeira Sofia não era tão ruim quanto eu pensava, e afinal, me senti sendo humana. Tendo amor e ódio lado a lado, pude respirar, e todo o oxigênio que entrava em meus pulmões era doce, suave, leve como uma brisa.
E continuei ali, flutuando naquela calmaria de mim...
Continuei até o momento que ondas de fúria começaram a me levar ao fundo, de novo, eram enormes, amargas, não permitiam que eu sequer tivesse tempo de lutar contra elas, me acertavam de todos os lados. E eu tentava reagir, não queria voltar ao fundo, eu finalmente havia me encontrado e não queria de forma alguma ser levada por aquelas ondas.
Nunca tive força contra elas...
Estava afundando novamente, e cada vez mais. A luz diminuía, meu sangue estava ficando gelado, cada vez mais, cada vez mais escuro, cade vez mais gelado. Até que se congelou.
Quis ser levada por aquelas correntezas doces que cortavam meu oceano,mas elas eram brutalmente cortadas por correntezas amargas. E eu sentia que estava voltando ao zero. Estava novamente presa ao fundo de mim, com todas aquelas lembranças, havia perdido de vez aquela calmaria que a pouco se instalara, meu oxigênio começou a ficar raso, e o pouco que eu podia prender estava repleto de lâminas de ódios que me destruíam por dentro. E meu coração ficou fraco, novamente.
E por muito tempo fiquei presa ali, de corrente em corrente, e sem perceber ficava com marcas após passar por elas, marcas que provavelmente seriam eternas ou ao menos duradouras. Tive vontade de colocar o ponto final ali, quis desistir e esquecer que um dia tive tanto amor dentro de mim.
Até que tudo se acalmou...
Quando dei por mim tudo o que eu tinha conquistado havia se estilhaçado, tornaram-se areia todas as minhas esperanças e quando tentei pega-las novamente, escorregaram-se por entre meus dedos. E eu não tinha mais nada a fazer.
Só então eu acordei de mim.
Com toda aquela tempestade não pude notar que tudo havia se misturado, o amor e o ódio tomaram proporções assustadoras e desafiavam-se a todo momento dentro de mim. Tornei-me outra Sofia, uma Sofia estranha ao mundo, uma nova. Uma mistura de todas as outras que ao se juntarem, tornaram-me irreconhecível.
Continuei amando aquela garota com olhos negros que me levara a tudo isso, mas nossas batidas haviam saído do ritmo, nada que eu havia construído fazia sentido e o ponto final me parecia cada vez mais próximo e ao mesmo tempo mais distante.
Eu fui por muito tempo 8, depois fui 80 e agora me tornei 46.
Continuei sendo Sofia, mas havia agora uma sensação nova, de não pertencer mais a mim, uma sensação desconhecida de não poder dominar meu próprio mundo.
Eu a amei tanto que acabei perdendo o controle, e mesmo assim, mesmo depois de tudo, eu quis fugir e não pude, pois sabia que a unica coisa real que ainda existia em mim era aquele amor.
O meu.
O seu.
O nosso.
E agora, depois de tantas tempestades, encontrei calmaria. E mesmo sabendo que muitas delas ainda estariam por vir, e mesmo com essa sensação de não morar mais em mim, pude descansar, enfim...
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
sábado, 1 de outubro de 2011
E quem somos nós que tentamos falar de amor
senão um bando de poetas que tiveram seus corações
dilacerados um dia?
E quem somos nós que tentamos mudar o mundo
senão um bando de jovens que tiveram suas esperanças
roubadas por puro egoísmo e corrupção de uma sociedade regrada?
E quem somos nós que ultrapassamos o limite da decência
senão um bando de corpos e almas que lutam por sobrevivência
em um lugar onde se é aniquilado por ser quem é?
E quem somos nós que acreditamos que isso pode mudar?
senão um bando de poetas que tiveram seus corações
dilacerados um dia?
E quem somos nós que tentamos mudar o mundo
senão um bando de jovens que tiveram suas esperanças
roubadas por puro egoísmo e corrupção de uma sociedade regrada?
E quem somos nós que ultrapassamos o limite da decência
senão um bando de corpos e almas que lutam por sobrevivência
em um lugar onde se é aniquilado por ser quem é?
E quem somos nós que acreditamos que isso pode mudar?
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
E foi ali naquele momento, no lado amplo e vago da escuridão de uma madrugada fria que percebi onde era o meu lugar. Que eu percebi onde eu realmente deveria (e queria) estar pela eternidade afora construindo histórias nas ruas vazias da cidade. E que nem o mais profundo filósofo saberia responder com tamanha exatidão o que um amante da vida sem luz saberia descrever...
sábado, 16 de julho de 2011
Dos Prazeres de Sofia - parte II
1 2 3.. testando
Porque eu resolvi sair com Caio? Ta ai uma boa pergunta, acho que eu estava mergulhada em um oceano de tédio quando ele me achou e como não havia mais nada pra fazer eu fui. Não lembro do dia exato mas era no mês de julho, estava muito frio.
Meu dia havia sido relativamente normal até o momento em que o encontrei, fiz o que uma garota perdida no mundo sempre fazia, fumava a desperdiçava meu tempo com besteiras. Nos encontramos perto de um mercado enorme lá pelas 19:30, ele com aquele skate velho e eu já tonta por ter fumado maconha.
Brigamos por alguma coisa idiota depois de 10 minutos de conversa mas mesmo assim resolvemos dar uma volta pelo centro da cidade, eu tenho certeza que ele achou essa ideia ridícula mas topou porque ficou com pena por ter me chamado de bêbada.
Particularmente, odeio ser chamada de bêbada. Apesar de ser uma verdade.
Compramos uns 40 reais em maconha no caminho quando passamos em frente ao prédio de um "amigo" dele. Nem sei quanto dava aquilo, mas foi o bastante pra me fazer esquecer da briga. Uns 500 metros a frente paramos em um desses bares vagabundos e compramos vodka e vinho. Ele sabia que eu gostava de vinho.
A próxima pergunta que esta escrita aqui fala sobre termos feito sexo em alguma parte da noite?! Que mentira deslavada! Não fizemos nada disso. Respeite-me senhor, sou uma bêbada e não uma prostituta.
Ok vou continuar..
Andamos até a praça central da cidade, era conhecida por ser habitada por drogados dos mais diferentes tipos. Sentamos lá e não demorou nem 5 minutos para que uns quatro amigos dele aparecessem por lá. Estavam carregando mochilas com bebidas e drogas para durar uma semana, mas acho que não duraram nem uma hora.
De inicio estava indo tudo normal, eu bebi e fumei muito mais, e em alguma parte da noite eu e Caio acabamos nos pegando em algum muro. Mas que fique claro que não passou disso!
Mais bebida, mais cigarro, mais maconha. Aquilo estava perdendo a graça já e então eles resolveram usar as drogas. Nunca fui a favor de drogas pesadas então recusei a oferta deles milhares de vezes. Lembro de todas as drogas que estavam em cima do banco: crack, heroína, cocaína, speed e oxi.
Ficamos mais ou menos uma hora curtindo aquela onda de músicas psicodélicas e jogando conversas sem o menor sentido fora. Lembro até que acabei pegando um amigo do Caio, não lembro o nome dele mas lembro dos dreads e das tatuagens, lembro de cor as 17 tatuagens...
Não, também não passou disso, eu juro que não fiz sexo naquela noite.
Quando eu decidi usar? O que eu usei? Achei que já tivessem lhe dito essas coisas, mas tudo bem eu explico melhor.
Eu continuei recusando até que o álcool e a maconha não causavam mais nenhum efeito sobre mim. Não, eu não usei por que fiquei com medo que me chamassem de fraca, foi uma decisão minha.
Eles pareciam estar muito melhores que eu, estavam se divertindo mais, a música era melhor no mundo deles. Acho que foi ai que pensei "é só uma vez, não vai mudar em nada minha vida". Sim eu estava errada, nunca é só uma vez e isso muda sua vida pra sempre.
Quando eu pedi cocaína eles ficaram meio espantados e perguntaram se eu tinha certeza disso. Nunca tive tanta certeza na minha vida..
Uma carreira, duas, três, a noite ficava melhor a cada carreira.
Você quer que eu descreva a primeira sensação?
Parece uma enchente. É como ficar em pé na frente de um trem descendo uma montanha a toda velocidade. É como se você tivesse ficado doente por muito, muito tempo, e de repente se sentisse melhor. Você fica feliz. Se sente ridícula de tão feliz. Você sente uma vontade estúpida de rir do mundo inteiro.
A sua pele fica toda formigada, como se você estivesse levemente queimada de sol.
Passamos um bom tempo cantando e dançando entre as ruas. Caio começou a ficar paranoico e dizer que eu estava passando dos limites, então ele começou a me abraçar pra me proteger de mim mesma. Odiei aquilo, o achei patético, eu queria voar.
Um grande problema é que você fica distraída, o que pode te levar a um acidente sério se você corre entre os carros.
É uma coisa que te exige muito fisicamente, e é por isso que não deve ser feita com regularidade. Você não pode viver sob o efeito.
Nas primeiras horas é como se você tivesse 15 metros de altura e seus nervos feitos de ouro. É como se o mundo e você estivem no mesmo ritmo.
O problema esta no depois, quando você começa a voltar ao normal e sua boca fica com um gosto de cinzeiro, qualquer comida parece ser feita de espinhos, água te faz vomitar e respirar te deixa tonta.
Porque eu disse que me arrependi? Vou explicar isso agora.
Quando comecei a ficar sã de novo comecei a pensar em tudo que fiz. Saber que tinha acabado de voltar da "viagem" de uma das coisas que eu mais repugnava no mundo me fazia ficar com nojo de mim, eu estava me sentindo suja. Eu havia traído a mim mesma e a sensação era de uma faca entrando lentamente no lado esquerdo do meu peito.
Só lembro de começar a chorar e sentar na calçada, Caio e o cara dos dreads me abraçaram e perguntaram se eu estava bem.
Oras, que merda de pergunta é essa? Se eu estava bem??
Isso me fazia chorar mais ainda, até que decidi sair correndo de lá, deixei Caio sem dizer nada e sai correndo pela cidade, não sabia pra onde estava indo, só sabia que deveria correr.
Quando percebi que já havia corrido mais de dois quilômetros resolvi sentar e pensar no que fazer, fumei um maço de cigarros que Caio tinha comprado pra mim até que decidisse o que fazer. Andei mais um quilômetro até um terminal de ônibus, estava praticamente vazio. Meu nariz tinha começado a sangrar e eu sequer tinha visto, meu casaco estava sujo de sangue então tirei e fiquei só com uma camiseta fina. Fiquei doente umas duas semanas por ter feito isso.
Uma velhinha parou na minha frente e tentou me ajudar mas eu estava com tanto nojo de mim que não queria que ela me olhasse então comecei a gritar pra que ela saísse.
Fiquei mais algum tempo ali até que consegui me levantar e ir ao banheiro, lembro de ter sujado a pia toda de sangue, era deprimente.
Sentei no chão e fiquei imóvel até me acalmar, queria parecer um pouco normal quando saísse dali. Levantei, arrumei meu cabelo e fiquei me olhando no espelho até enjoar do meu rosto.
Aquela meia-hora esperando o ônibus foram as piores da minha vida, minha roupa arranhava minha pele e eu me sentia despedaçada, como se eu tivesse sido atropelada com muita força mas mesmo assim levantasse e continuasse andando.
Coloquei os meus fones pra tentar me distrair mas as luzes me cegavam cada vez mais, isso sem falar na dor de cabeça insuportável. Acho que dormir no ônibus a caminho de casa.
Quando estava chegando na minha rua eu não aguentava o peso do meu corpo e cai no chão, não conseguia me levantar de jeito nenhum. Tive muita sorte de que um antigo amigo meu que eu não falava a alguns anos me reconheceu e resolveu me ajudar mesmo depois de tudo que fiz a ele. (isso já é outra história)
Ele me deixou em frente ao meu portão sem me dirigir uma palavra, e do mesmo modo foi embora. Foi uma luta atravessar o quintal e subir as escadas, elas estavam enormes nesse dia.
A ultima coisa que me lembro foi de ter me jogado em cima da cama e do meu irmão jogando um cobertor sobre mim, o resto já da pra imaginar não é?!
Acabaram as perguntas? Agora que eu havia me acostumado com isso, confesso que foi divertido até!
Ah, tem mais uma aqui, deve ser de alguma velhinha com pena de mim: "Você acredita em Deus?"
É um jeito estranho de terminar isso, mas não, eu não acredito no seu Deus...
Porque eu resolvi sair com Caio? Ta ai uma boa pergunta, acho que eu estava mergulhada em um oceano de tédio quando ele me achou e como não havia mais nada pra fazer eu fui. Não lembro do dia exato mas era no mês de julho, estava muito frio.
Meu dia havia sido relativamente normal até o momento em que o encontrei, fiz o que uma garota perdida no mundo sempre fazia, fumava a desperdiçava meu tempo com besteiras. Nos encontramos perto de um mercado enorme lá pelas 19:30, ele com aquele skate velho e eu já tonta por ter fumado maconha.
Brigamos por alguma coisa idiota depois de 10 minutos de conversa mas mesmo assim resolvemos dar uma volta pelo centro da cidade, eu tenho certeza que ele achou essa ideia ridícula mas topou porque ficou com pena por ter me chamado de bêbada.
Particularmente, odeio ser chamada de bêbada. Apesar de ser uma verdade.
Compramos uns 40 reais em maconha no caminho quando passamos em frente ao prédio de um "amigo" dele. Nem sei quanto dava aquilo, mas foi o bastante pra me fazer esquecer da briga. Uns 500 metros a frente paramos em um desses bares vagabundos e compramos vodka e vinho. Ele sabia que eu gostava de vinho.
A próxima pergunta que esta escrita aqui fala sobre termos feito sexo em alguma parte da noite?! Que mentira deslavada! Não fizemos nada disso. Respeite-me senhor, sou uma bêbada e não uma prostituta.
Ok vou continuar..
Andamos até a praça central da cidade, era conhecida por ser habitada por drogados dos mais diferentes tipos. Sentamos lá e não demorou nem 5 minutos para que uns quatro amigos dele aparecessem por lá. Estavam carregando mochilas com bebidas e drogas para durar uma semana, mas acho que não duraram nem uma hora.
De inicio estava indo tudo normal, eu bebi e fumei muito mais, e em alguma parte da noite eu e Caio acabamos nos pegando em algum muro. Mas que fique claro que não passou disso!
Mais bebida, mais cigarro, mais maconha. Aquilo estava perdendo a graça já e então eles resolveram usar as drogas. Nunca fui a favor de drogas pesadas então recusei a oferta deles milhares de vezes. Lembro de todas as drogas que estavam em cima do banco: crack, heroína, cocaína, speed e oxi.
Ficamos mais ou menos uma hora curtindo aquela onda de músicas psicodélicas e jogando conversas sem o menor sentido fora. Lembro até que acabei pegando um amigo do Caio, não lembro o nome dele mas lembro dos dreads e das tatuagens, lembro de cor as 17 tatuagens...
Não, também não passou disso, eu juro que não fiz sexo naquela noite.
Quando eu decidi usar? O que eu usei? Achei que já tivessem lhe dito essas coisas, mas tudo bem eu explico melhor.
Eu continuei recusando até que o álcool e a maconha não causavam mais nenhum efeito sobre mim. Não, eu não usei por que fiquei com medo que me chamassem de fraca, foi uma decisão minha.
Eles pareciam estar muito melhores que eu, estavam se divertindo mais, a música era melhor no mundo deles. Acho que foi ai que pensei "é só uma vez, não vai mudar em nada minha vida". Sim eu estava errada, nunca é só uma vez e isso muda sua vida pra sempre.
Quando eu pedi cocaína eles ficaram meio espantados e perguntaram se eu tinha certeza disso. Nunca tive tanta certeza na minha vida..
Uma carreira, duas, três, a noite ficava melhor a cada carreira.
Você quer que eu descreva a primeira sensação?
Parece uma enchente. É como ficar em pé na frente de um trem descendo uma montanha a toda velocidade. É como se você tivesse ficado doente por muito, muito tempo, e de repente se sentisse melhor. Você fica feliz. Se sente ridícula de tão feliz. Você sente uma vontade estúpida de rir do mundo inteiro.
A sua pele fica toda formigada, como se você estivesse levemente queimada de sol.
Passamos um bom tempo cantando e dançando entre as ruas. Caio começou a ficar paranoico e dizer que eu estava passando dos limites, então ele começou a me abraçar pra me proteger de mim mesma. Odiei aquilo, o achei patético, eu queria voar.
Um grande problema é que você fica distraída, o que pode te levar a um acidente sério se você corre entre os carros.
É uma coisa que te exige muito fisicamente, e é por isso que não deve ser feita com regularidade. Você não pode viver sob o efeito.
Nas primeiras horas é como se você tivesse 15 metros de altura e seus nervos feitos de ouro. É como se o mundo e você estivem no mesmo ritmo.
O problema esta no depois, quando você começa a voltar ao normal e sua boca fica com um gosto de cinzeiro, qualquer comida parece ser feita de espinhos, água te faz vomitar e respirar te deixa tonta.
Porque eu disse que me arrependi? Vou explicar isso agora.
Quando comecei a ficar sã de novo comecei a pensar em tudo que fiz. Saber que tinha acabado de voltar da "viagem" de uma das coisas que eu mais repugnava no mundo me fazia ficar com nojo de mim, eu estava me sentindo suja. Eu havia traído a mim mesma e a sensação era de uma faca entrando lentamente no lado esquerdo do meu peito.
Só lembro de começar a chorar e sentar na calçada, Caio e o cara dos dreads me abraçaram e perguntaram se eu estava bem.
Oras, que merda de pergunta é essa? Se eu estava bem??
Isso me fazia chorar mais ainda, até que decidi sair correndo de lá, deixei Caio sem dizer nada e sai correndo pela cidade, não sabia pra onde estava indo, só sabia que deveria correr.
Quando percebi que já havia corrido mais de dois quilômetros resolvi sentar e pensar no que fazer, fumei um maço de cigarros que Caio tinha comprado pra mim até que decidisse o que fazer. Andei mais um quilômetro até um terminal de ônibus, estava praticamente vazio. Meu nariz tinha começado a sangrar e eu sequer tinha visto, meu casaco estava sujo de sangue então tirei e fiquei só com uma camiseta fina. Fiquei doente umas duas semanas por ter feito isso.
Uma velhinha parou na minha frente e tentou me ajudar mas eu estava com tanto nojo de mim que não queria que ela me olhasse então comecei a gritar pra que ela saísse.
Fiquei mais algum tempo ali até que consegui me levantar e ir ao banheiro, lembro de ter sujado a pia toda de sangue, era deprimente.
Sentei no chão e fiquei imóvel até me acalmar, queria parecer um pouco normal quando saísse dali. Levantei, arrumei meu cabelo e fiquei me olhando no espelho até enjoar do meu rosto.
Aquela meia-hora esperando o ônibus foram as piores da minha vida, minha roupa arranhava minha pele e eu me sentia despedaçada, como se eu tivesse sido atropelada com muita força mas mesmo assim levantasse e continuasse andando.
Coloquei os meus fones pra tentar me distrair mas as luzes me cegavam cada vez mais, isso sem falar na dor de cabeça insuportável. Acho que dormir no ônibus a caminho de casa.
Quando estava chegando na minha rua eu não aguentava o peso do meu corpo e cai no chão, não conseguia me levantar de jeito nenhum. Tive muita sorte de que um antigo amigo meu que eu não falava a alguns anos me reconheceu e resolveu me ajudar mesmo depois de tudo que fiz a ele. (isso já é outra história)
Ele me deixou em frente ao meu portão sem me dirigir uma palavra, e do mesmo modo foi embora. Foi uma luta atravessar o quintal e subir as escadas, elas estavam enormes nesse dia.
A ultima coisa que me lembro foi de ter me jogado em cima da cama e do meu irmão jogando um cobertor sobre mim, o resto já da pra imaginar não é?!
Acabaram as perguntas? Agora que eu havia me acostumado com isso, confesso que foi divertido até!
Ah, tem mais uma aqui, deve ser de alguma velhinha com pena de mim: "Você acredita em Deus?"
É um jeito estranho de terminar isso, mas não, eu não acredito no seu Deus...
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Andando, rua vazia, encontrei um local no qual havia um grande tumulto, havia até uma fila para ver o porque de tanto alvoroço. Logo pensei que poderia ser alguma briga ou qualquer coisa do tipo. Tentei de todas as formas espiar o que era, mas qualquer esforço fora em vão. Decidi entrar na fila, afinal, eu não tinha nada mesmo para fazer. Como eu não estava muito bem aproveitei o tempo de espera para pensar um pouco. Perdida em meus pensamentos, mal vi o tempo passar e muito menos que a fila já diminuíra significativamente. Logo, eu era a única da fila. Vi em minha frente um garoto, olhos azuis e um pouco cansados, cabelo bagunçado, bem bonito por sinal, segurando uma placa de “free hugs”.
-Quero um amigo – pedi.
-Eu só distribuo abraços...
Fiquei um pouco desapontada, mas afinal, ele estava lá só para isso mesmo.
-Desculpa – falei.
Ele percebeu que eu não estava muito bem, se aproximou e me deu um abraço bem apertado, bem demorado, um dos melhores abraços que eu já recebi.
-Esse foi o primeiro abraço sincero que eu recebi hoje – comentou fazendo pausas.
-Pois é, esse foi o meu primeiro abraço de hoje.
Começou uma grande amizade.
-Quero um amigo – pedi.
-Eu só distribuo abraços...
Fiquei um pouco desapontada, mas afinal, ele estava lá só para isso mesmo.
-Desculpa – falei.
Ele percebeu que eu não estava muito bem, se aproximou e me deu um abraço bem apertado, bem demorado, um dos melhores abraços que eu já recebi.
-Esse foi o primeiro abraço sincero que eu recebi hoje – comentou fazendo pausas.
-Pois é, esse foi o meu primeiro abraço de hoje.
Começou uma grande amizade.
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